Mudar a mentalidade ou falir.

Muitas empresas ainda não se deram conta de que atravessar para o século XXI será mais do que uma simples mudança de calendário para as organizações empresariais. Há toda uma mudança do ponto de vista cultural, social, de costumes e comportamento. Uma mudança impulsionada pela tecnologia, mas que tem haver, sobretudo, com a condição humana.
As pessoas – via de regra – tem muito mais acesso à informação, do que há algumas décadas atrás. Estão mais exigentes e mais desconfiadas. Estão com muito mais pressa e muito menos pré-dispostas a aturar falhas ou contra tempos de qualquer ordem. Essa mudança de comportamento, que tem relação com o aparecimento de “novidades” como a internet, o telefone celular, a televisão a cabo, equipamentos que deixam as pessoas muito mais acessíveis ao mundo e o mundo a elas, mas também as deixam muito mais estressadas, ansiosas e isoladas – por paradoxal que pareça – essa mudança de comportamento tem incidência direta sobre o consumo ou sobre os hábitos de consumo.
Na contra-mão do que é o desejo das organizações modernas – fidelizar seus clientes, fazendo com que, ainda que eles tenham opção, prefiram comprar ali – um grande número de empresas parece não se importar com essa realidade e continua no tempo do “basta abrir que a freguesia chega” e da venda sem a preocupação com o atendimento integral ao cliente. O que faz com que percam novos clientes a cada dia.
Outras ainda, não conseguiram enxergar que a competição anda mais difícil. Há um tempo atrás os preços eram determinados pelo seguinte cálculo: verificava-se o custo total de produção ou aquisição de uma mercadoria, colocava-se uma margem sobre esse custo e pronto: estava definido o preço de venda. Hoje em dia, quem define os preços é a “mão invisível” do mercado. E eles estão baixando cada vez mais. Reflexo da potencialidade de opções. Assim, a única forma de manter-se competitivo é reduzir custos. E não há lugar onde não se possa faze-lo. Mas, entretanto, alguns empresários ainda batem cabeça para descobrir como o concorrente consegue oferecer preços mais baixos que os seus.
A evolução das tecnologias também trouxe novas ferramentas para que o empresário possa gerir seu negócio. Administração é uma ciência e, como toda a ciência, coloca o conhecimento à disposição de criar facilidades e superar obstáculos. Modernas técnicas de gestão foram desenvolvidas para cada área: desde a fixação da marca junto à clientela até a propaganda a ser utilizada; do controle de custos até a exposição de produtos; do controle de fluxo financeiro até a gestão de compras e contratos. Para tudo hoje existe técnica e conhecimento à disposição.
As empresas que não investirem em treinamento e qualificação de seu pessoal – o que inclui os gestores – e não adotarem procedimentos técnicos, ao invés de “achismos” na condução do seu dia-a-dia, terão um único caminho: a extinção das atividades. Simplesmente, porque serão superadas por quem o faz. Você já parou para pensar como está sua empresa, diante dessa nova realidade?
Andrew Carvalho Pinto é ex-Secretário de Administração do Município; Professor do Senac na Área de Gestão e Comércio, atualmente atua com consultoria em gestão, junto à área pública e privada.
Por: Andrew Carvalho Pinto

